—É que te apaixonaste por Helen, não vês mais ninguem, considerava Violet.
—Mas sei lá porque me apaixonei por ella. Se ao vê-la hoje não sentiria afundar-se todo o meu passado num mar de nojo feito do amor que lhe tive e das complacencias que me deu...
Violet procurava sondar os desesperos de Peregrina, e tomar o logar de Helen. Impossivel! Violet era para Peregrina a escrava, que usava á falta doutra em suas perversões.
Helen era um abysmo de alegria, um corpo de risos com nervos de seda.
Era o melhor e peor duma raça que, junta a ella, estreitava o abraço de duas civilizações a suicidarem-se...
—Ah! se ella tivesse vindo commigo, dizia Peregrina, como eu reveria a velha Hellada!... Só vê bem quem recebe suggestões para produzir. Mas só produz quem ama. E só ama quem possue...
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Havia em sua alma, sedenta de exotismos, intervallos duma ternura de creança, em que se dava ao culto da simplicidade, tecendo obra ingenua.
Datam da sua estada na Grecia, e mercê daquellas horas, os versos que juntou num livro curioso, a que chamou—O Livro das Creanças.
Os titulos dos capitulos indicam a sua indole. Assim, havia nelle—A historia duma gota de agua, Aventuras de uma aresta, A conta de crystal, Hostia de oiro, A camelia côr de mel, etc., assumptos innocentes, pontos pequenissimos de partida a uma philosophia de desvairamentos para auxiliar os vôos da imaginação infantil, isto vasado num metro facil, dicção correntia.