Mas sobre esta innocencia apparente, todas aquellas historias eram um hymno á Fatalidade, tecidos dum maravilhoso novo,—expressões simplistas dum espirito doente.

A Aresta da historia era uma heroina, de formas pequenissimas e de alma grande que o vento, as chuvas, a tempestade metiam em aventura á mercê do Acaso, que é o genio das coisas.

A Hostia de oiro era o Sol que um negro do Senegal perseguia no poente, andando de terra em terra a ver se o colhia para commungar com os da sua tribu—caminhando por montes altos quando elle tombava, até que morreu de desespero e saudades em uma terra do Norte, deixando-se matar e enterrar pela neve quando viu que, depois de dois mêses, a linda hostia não apparecia. No dia seguinte, veiu o Sol a sorrir, desenterrando o negro, solvendo a neve, envolveu-o num resplendor de luz e fez delle uma estrella, que ficou no ceu a velar a sua raça côr de fuligem e muito especialmente aquella tribu.

A historia da Camelia côr de mel resumia o episodio duma rosa do Japão que se condoeu dos amores dum indio desprezado por uma mulher branca e trocou a côr com ella. E assim as restantes.

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Passado pouco tempo da entrada na Academia, já Maria Peregrina estava relacionada com varios camaradas, que logo deram pelo seu talento.

Era o tempo em que os extrangeiros mais acudiam a Athenas a seguir os cursos de Arte. A mesma razão que levára ahi Peregrina detinha lá tambem alguns delles, vivendo por educação ou atavismo memorias da velha Grecia.

Não lhe foi difficil dar por aquelles que mais se lhe approximavam em perversão e requintes.

Dentro de pouco era intima da Princesa de Tuscolo, uma italiana de 35 annos, principalmente gastos em passeios de luxo e prazer e dum russo, pouco talentoso, mas culto, homem de 29 annos, com grande fortuna e ancia de imprevisto.

Iam muitas vezes para Corintho e Corfu, inventando romarias a que não faltavam luxurias.