Mas sempre a mesma sombra de tedio vinha escurecer a imaginação de Maria Peregrina, findos os passeios; é que tinha de roçar as scenas vulgares do que ella chamava a torpeza civilizada.

Uma tarde em que foram todos ao Stadio, vasto circo de feitura recente, para arremêdo dos antigos exercicios olympicos, Maria propôs que se arranjasse uma casa onde pudessem commungar sensualidades.

Foi a proposta acceite. E a casa ficou a chamar-se desde logo Templo de Amor.

Era nas immediações de Athenas, a caminho de Kefissia.

Ficava numa encosta, emmaranhada de arvores.

Tinha por fóra o geito grego—cujo risco fôra executado com escrupulo.

Dentro, o aspecto dum templo.

Havia ali reproducções em marmore da Venus do museu de Napoles, de Milo, Medicis, Capitolio e Troia; de Apollo, e três estatuas de Sapho, salientando-se a de Pradier, que, dum estrado alto, curvada, parecia presidir ás danças orgiacas, que a sua memoria suggeria; finalmente, uma larga profusão de espelhos, luzes, e instrumentos de musica, sobresahindo harpas, lyras e psalterios.

As toilettes da chegada, no dia da inauguração, lembravam as das velhas festas da Hellada, pelo esmero com que haviam sido reproduzidas.

Só Maria Peregrina puzera um pouco da sua originalidade no vestuario, aliás riquissimo.