Entrou coberta por uma falteta, á maneira das que usam as mulheres de Malta, refulgente de finissima renda e pedraria.

Quando appareceu já o Templo estava povoado de adolescentes nús; tocavam as harpas muito casadas aos violinos.

As luzes num grande desacordo de côr davam ao Templo uma refulgencia que fazia esquecer a Terra...

A Princesa de Tuscolo e Ivanwitch, que tinham vindo antes, observavam os adolescentes. Alguns eram do Stadio, gymnastas e jongleurs precoces.

Outros eram ingenuos camponezitos de Corfu; havia lindas raparigas de Corintho e um anão de Colonia, resgatado havia pouco a uma companhia de zingaros.

Tocaram as harpas o Canto de Sapho e depois Rhythmos de dança, numa harmonia dolente.

Maria Peregrina chamou duas negras, que, a um canto, cortavam aquelle mar de luz com os corpos de sombra, e entregou-lhes a falteta.

O resto da toilette era uma simples fita larga, de velludo-musgo, que a enroscava desde o busto aos quadris.

Tirou-a, mostrando as lindas formas em que sobresahia um ventre perfeitissimo, especie de salva de metal moreno fulgente, peitos de formas certas, que não temiam desmanchar-se no ardor da dança, e ancas sumidas, contrastes do typo extranho de femme-garçon, de geito a servirem a flexura rara do seu corpo resumante de sensualidade e adolescencia...

Todos se desembaraçaram dos vestuarios. Era madrugada.