Começou a orgia pelas Danças sensuaes. Extranha gente! Eram rapazes, flectindo corpos de belleza sobria, linhas puras de desenvoltura suave, sonhos de Aphrodite, animados; raparigas multiplicando as curvas ideaes de corpos de amphora, tudo o que havia de excepcional na concepção excelsa—a melhor argila, modelos supremos do Divino Oleiro.

E, em contraste, como a desenhar o arabesco entre aquella floração de carne, diversamente colorida, volteava o anão, corpo curto, pernas rectas, movimentos perros mas certos, carne côr de cerveja, face de fauno que surgisse do bosque, avido de luxurias e se perdesse num labyrintho movediço de Belleza...

Começaram as danças em homenagem aos manes da velha Hellada. A Athenas do vicio estava ali. A outra, a cidade nova, dormia somnos brancos, côr do casario.

Peregrina dizia, rindo, para os tangedores das harpas:

—De vagar, moderae os dedos.

E para Tuscolo e Ivanwitch:

—Se chega ao Parthenon o echo desta festa, temos ahi Socrates, a remir-se pela culpa, com uma fileira de sabios, deuses e artistas.

E como falando comsigo:

—No Parthenon é que a festa maxima terá de dar-se. É a primeira joia de Arte do mundo. Os deuses não a conservaram senão para que ahi fosse a grande festa pelo definitivo triumpho hellenista.

Mas quando será?!