Reflectiam-nas, desgarrando cantares impregnados de nostalgia arabe. Fóra dos descampados, eram outros.

Tambem Ruy, ainda nos salões, distrahido, usava expressões mansas de cordeiro.

Se o chamavam á vida e fixava os que o cercavam, espectrava logo denuncias duma alma irreconciliavel.

Quasi sempre calado, brando á vibração das inferioridades, como dos talentos alheios, era nos salões de Maria Peregrina como um alumno que apparecesse a tirar a falta.

Entretanto, a casa da artista era uma verdadeira academia, aos sabbados.

Romancistas em começo de vida, homens de Estado, jornalistas, pintores, poetas de primeiro vôo, tudo ia ali privar um pouco com a Poetisa, e dizer discursos de Arte, de philosophia e até de politica.

Maria Peregrina, tolerante, ia acompanhando aquella Babel de convenções. E a Nuno, que a increpava, educadamente, da generosidade, accusando-a de subsidiar os apostolos do que chamava a philosophia do Pôdre, respondia:

—A collecção dos sabbados é o meu narcotico. Aquelle barulhar de idéas disparatadas, auxilia-me a esquecer o passado, a viver o presente.

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Uma noite estava no Salão-verde, só e muito attenta a um volume de Spinoza, que lia havia horas, quando entrou um creado a annunciar: