Maria. Minha mãe! (abraçando-a) Então, se choraes assim, não vou.
*Manuel*. Nem eu, Magdalena. Ora pois! Eu nunca te vi assim.
*Magdalena*. Porque nunca assim estive…—Vão, vão… adeus!—Adeus, espôso do meu coração!—Maria, minha filha, toma sentido no ar, não te resfries. E o sol… não sáias debaixo do tôldo no bergantim. Telmo, não te tires d'aopé d'ella.—Dá-me outro abraço, filha.—Dorothea, levaes tudo? (Examina uma bolsa grande de damasco que Dorothea leva no braço) Póde haver qualquer coisa, molhar-se, ter frio para a tarde… (tendo examinado a bolsa) Vai tudo: bem!—(Baixo a Dorothea) Não me apartes os olhos d'ella, Dorothea. Ouve. (Falla baixo a Dorothea, que lhe responde baixo tambem; depois diz alto) Está bom.
*Manuel*. Não tenhas cuidado; vamos todos com ella. (Abraçam-se outra vez; Maria sái appressadamente, e para a mãe não ver que vai suffocada com chôro.)
SCENA VIII
MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA, JORGE
*Magdalena*, seguindo com os olhos a filha e respondendo a Manuel de Sousa. Cuidados!… eu não tenho ja cuidados. Tenho este medo, este horror de ficar so… de vir a achar-me so no mundo…
*Manuel*. Magdalena!
*Magdalena*. Que queres? não está na minha mão.—Mas tu tens razão de te infadar com as minhas impertinencias. Não fallêmos mais n'isso. Vai. Adeus!—Outro abraço. Adeus!
*Manuel*. Oh querida mulher minha, parece que vou eu agora imbarcar n'um galeão para a India… Ora vamos: ao anoitecer, antes da noite, aqui estou.—E Jesus!… Olha a condessa de Vimioso, ésta Joanna de Castro que a nossa Maria tanto deseja conhecer… olha se ella faria esses prantos quando disse o último adeus ao marido…