*Magdalena*. Bemditta ella seja! Deu-lhe Deus muita fôrça, muita virtude. Mas não lh'a invejo, não sou capaz de chegar a essas perfeições.

*Jorge*. É perfeição verdadeira; é a do Evangelho: Deixa tudo e segue-me.

*Magdalena*. Vivos ambos… sem offensa um do outro, querendo-se, estimando-se… e separar-se cada um para sua cova! Verem-se com a mortalha ja vestida—e… vivos, sãos… depois de tantos annos de amor… e convivencia… condemnarem-se a morrer longe um do outro—sos, sos!—E quem sabe se n'essa tremenda hora… arrependidos!

*Jorge*. Não o permittirá Deus assim… oh, não. Que horrivel coisa seria!

*Manuel*. Não permitte, não.—Mas não pensêmos mais n'elles: estão intregues a Deus… (pausa) E que temos nós com isso? A nossa situação é tam differente… (pausa) Em todas nos póde Elle abençoar.—Adeus, Magdalena, adeus! até logo. Maria ja lá vai no caes a ésta hora… adeus! Jorge, não a deixes. (Abraçam-se; Magdalena vai até fóra da porta com elle.)

SCENA IX

JORGE so

Eu faço por estar alegre, e queria vê-los contentes a elles… mas não sei ja que diga do estado em que vejo minha cunhada, a filha… até meu irmão o desconheço! A todos parece que o coração lhes adivinha desgraça… E eu quasi que tambem ja se me péga o mal. Deus seja comnosco!

SCENA X

JORGE, MAGDALENA