*Jorge*. Procurae n'estes retrattos, e dizei-me se algum d'elles póde ser.
*Romeiro*, sem procurar, e apontando logo para o retratto de D. João.
É aquelle.
*Magdalena*, com um grito espantoso. Minha filha, minha filha, minha filha!… (em tom cavo e profundo) Estou… estás… perdidas, deshonradas… infames! (Com outro grito do coração) Oh minha filha, minha filha!… (Foge espavorida e n'este gritar.)
SCENA XV
JORGE e o ROMEIRO, que seguiu Magdalena com os olhos, e está alçado no meio da casa com aspecto severo e tremendo.
*Jorge*. Romeiro, romeiro! quem es tu?
*Romeiro*, apontando com o bordão para o retratto de D. João de
Portugal. Ninguem.
(Frei Jorge cái prostrado no chão, com os braços estendidos, deante da tribuna. O panno desce lentamente.)
ACTO TERCEIRO
Parte baixa ao palacio de D. João de Portugal, communicando, pela porta á esquerda do espectador, com a capella da Senhora-da-Piedade na egreja de San'Paulo dos Dominicos d'Almada: é um casarão vasto sem ornato algum. Arrumadas ás paredes, em diversos pontos, escadas, tocheiras, cruzes, ciriaes e outras alfaias e guizamentos d'egreja de uso conhecido. A um lado um esquife dos que usam as confrarias; do outro uma grande cruz negra de tábua com o letreiro J. N. R. J., e toalha pendente, como se usa nas cerimonias da semana-sancta. Mais para a scena uma banca velha com dois ou tres tamboretes; a um lado uma tocheira baixa com tocha accesa e ja bastante gasta; sôbre a mesa um castiçal de chumbo, de credencia, baixo e com vela accesa tambem,—e um hábito completo de religioso dominico, tunica, escapulario, rosario, cinto, etc. No fundo, porta que dá para as officinas e aposentos que occupam o resto dos baixos do palacio.—É alta noite.