*Jorge*. O que lhe disse o romeiro n'aquella fatal sala dos retrattos… o que ja te contei. Sabe que D. João está vivo, mas não sabe aonde; suppõe-no na Palestina talvez; é onde o deve suppor pelas palavras que ouviu.
*Manuel*. Então não conhece, como eu, toda a extensão, toda a indubitavel verdade da nossa desgraça. Ainda bem! talvez possa duvidar, consolar-se com alguma esperança de incerteza.
*Jorge*. Hontem de tarde não; mas ésta noite começava a raiar-lhe no espirito alguma falsa luz d'essa van esperança. Deus lh'a deixe, se é para bem seu.
*Manuel*. Porque não hade deixar? Não é ja desgraçada bastante?—E Maria, a pobre Maria!… Essa confio no Senhor que não saiba, ao menos por ora…
*Jorge*. Não sabe. E ninguem lh'o disse, nem dirá. Não sabe senão o que viu: a mãe quasi nas agonias da morte. Mas o motivo, so se ella o adivinhar.—Tenho medo que o faça…
*Manuel*. Tambem eu.
*Jorge*. Deus será comnosco e com ella!—Mas não: Telmo não lhe diz nada por certo; eu já lhe asseverei—e accreditou-me—que a mãe estava melhor, que tu ias logo vê-la… E assim espero que, até lá por meio dia, a possamos conservar em completa ignorancia de tudo. Depois ir-se-lhe-ha dizendo, pouco a pouco, até onde for inevitavel. E Deus… Deus accudirá.
*Manuel*. Minha pobre filha, minha querida filha!