Errores é usado por Camões no sentido de—longas, e desvairadas viagens—; Ferreira porem, e outros classicos de igual nota o tomaram na mesma accepção, em que aqui se toma.

«Com o amante fugir, morrer com elle?»

Uma deusa não póde morrer: me diz ja algum critico, muito contente do quinau. Assim é, Sr. critico; mas no delirio das paixões quem se lembra da sua natureza?—Uma deusa com paixões!—Os deuses da mythologia, os numes dos Gregos, e Romanos não são o mesmo que o deus do philosopho (digno de tal nome) que, satisfeito de reconhecer a existencia d’um ente supremo, pára, onde se lhe acabam as forças, nem prosegue em investigações, onde se lhe apaga a luz da fraca razão; nem empresta á desconhecida causa das causas os habitos, as paixões, a fórma, e toda a natureza da fragil e apoucada humanidade. O orgulho de se occultar a si proprio a sua fraqueza, e de abaixar até á sua mesquinhez a idea de deus, por não poder subir até á altura d’ella, nasce da nossa vaidade, da nossa ignorancia e da nossa miseria. Por isso os theologos desbocadamente nos pintam, e nos querem fazer crer em um deus vingativo, irado, e capaz em fim de todos os crimes e vicios, que elles em sua alma alimentam e nos querem vender por virtudes.

«..... Comsigo ao carro o sobe.»

Subir é um verbo neutro; mas é este um idiotismo bem notavel da nossa lingua, usar de taes verbos com força activa, como o fazem os nossos classicos a cada passo.

«Que lhe spira dos labios, das pupillas.»

Aquelle não sei que,
Que spira não sei como,
Que invisivel sahindo, a vista o vê.

Camões: Ode 6.

Spirem suaves cheiros
De que se encha este ar todo.

Ferr. Castr. act.