Fui-lhe pôr a cea, muito bem ceava;
A cama lhe fiz, n'ella se deitava.

Dei-lhe as boas noites, não me replicava:
Tam má cortezia nunca a vi usada!

Lá por meia noite que me eu suffocava,
Sinto que me levam co'a bôcca tapada…

Levam-me a cavallo, levam-me abraçada,
Correndo, correndo sempre á desfilada.

Sem abrir os olhos, vi quem me roubava;
Callei-me e chorei—elle não fallava.

D'alli muito longe que me perguntava
Eu na minha terra como me chamava.

—'Chamavam-me Iria, Iria a fidalga;
Por aqui agora Iria, a cansada.'[3]

Andando, andando, toda a noite andava;
Lá por madrugada que me attentava…

Horas esquecidas commigo luctava;
Nem fôrça nem rogos, tudo lhe mancava.

Tirou do alfange… alli me matava,
Abriu uma cova onde me interrava.