Não esperava, não estava preparado para a impressão que recebeu, foi uma surpreza, um choque, um reviramento confuso de todas as suas ideas e sentimentos.
Qual fosse porêm a precisa e verdadeira impressão que recebeu, nem elle a si proprio o podéra explicar: era de um genero novo, unico na historia de suas sensações: não a conhecia, extranhava-a, e quasi que tinha medo de a analysar.
Sería annúncio d'amor?
Mas elle tinha amado, amado muito e devéras… e cuidava amar ainda, e devia amar; por quanto ha sagrado e sancto nos deveres do coração, era obrigado a amar ainda.
Oh obrigações d'amor, obrigações d'amor! se vós não sois, se vós ja não sois senão obrigações!..
Não o pensava Carlos, não o cria elle assim: leal e sincero tinha intregue o seu coração á mulher que o amava, que tantas próvas lhe dera d'amor e devoção; que descançava em sua fé, que não existia senão para elle: mulher môça, bella, cheia de prendas e de incantos, mulher de um espirito, de uma educação superior, que atravessára, desprezando-as, turbas de adoradores nobres, riccos, poderosos, para descer até elle, para se intregar ao foragido, pobre, extrangeiro, desprezado.
Quem era essa mulher?
Aonde, como obtivera elle a posse d'essa joia, d'esse talisman com o qual se tinha por tam seguro para não ver na graciosa prima senão?..
Senão o quê?
A innocente criança que alli deixára?