Entretanto quem era esse phantasma,
Que ao vêr a frota portugueza pasma
E diz phrases vibrantes de crueza?
Elle era o Antigo Espirito que absorto
Via o maravilhoso extincto e morto,
E o Homem dominando a Natureza.
[ILHA DOS AMORES]
(a Fialho de Almeida)
Ha nesses versos ruivos e frementes
Todos feitos de sol e de impureza
A fulva côr nervosa das serpentes
E um vago sonho de gentil duqueza.
Em cada phrase de uma sereia ou deusa
E em cada riso de tritões ardentes:
Descubro ondas de carne omnipotentes
E escuto o grito audaz da Natureza.
Camões! Ha nos teus versos enseivados,
Beijos que ferem, seios inflammados
E a mulher toda nua, exposta ao sol.
E ao lêr essas estrophes côr de lava,
Sinto a minh'alma allucinada e brava,
Entre um incendio enorme de arrebol.
[LONGE DA PATRIA]
(a Camillo Castello Branco)