Logo em um dos primeiros dias de marcha para a côrte do Préste falleceu Matheus, no mosteiro da Visão. A embaixada proseguiu, até que chegou ao seu destino, depois de longas e arduas jornadas.
Tiveram os portuguezes a satisfação de encontrar Pero da Covilhan, que exultou ao ver os seus nacionaes, e não poude conter as lagrimas, ao lembrar-se da patria, á qual o não deixavam voltar as obrigações, que tinha tomado.
Durante os seis annos, que D. Rodrigo de Lima esteve na Abyssinia, de muito lhe serviu o voluntario e nobilissimo exilado, que tão heroica e honradamente sacrificou a vida pelo seu paiz.
Nas cartas, que o imperador David escreveu a D. Manoel, por D. Rodrigo de Lima, dizia:
«O Pero da Covilhan achei, quando reinei, que meu páe não encaminhára, até ver coisa, que o mais certificára; o que Deus a mim fez e não a elle, e sabe como fica meu coração até ver vossa, resposta, que muito desejo».[{229}]
Os desejos do Préste eram, que o rei de Portugal mandasse fortificar Massuah e Suaquem, por medo dos rumes, que, fazendo-se ahi fortes, o desbaratariam e aos portuguezes. Offerecia gente, mantimentos, e o que necessario fôsse emfim, lembrando ao mesmo tempo, que seria bom tomar Zeila, porque d'este porto iriam as mercadorias para Aden, Djiddah e toda a Arabia, até ao Tor e Cairo.
Entretanto continuava de refem Pero da Covilhan...
Chegámos ao fim do primeiro quartel do seculo XVI, sem comtudo irmos mais longe, do que deviamos; é-nos, porém, preciso retroceder.
Da correspondencia de Pero da Covilhan estremou a rainha D. Leonor a seguinte carta, que mandou lêr a Maria Thereza:
Maria Thereza