SCENA II
Entra Julio de Lemos em travesti de mulher. A sua entrada em scena produz hilaridade no publico.
BARONEZA
Ó morgado! que surpreza!
Que prazer! quanto eu estimo!
Beijo-lhe as mãos, D. Diogo,
Pois que nos trouxe seu primo.
D. MENDO
Baroneza! Eu folgo muito...
O meu peito rejubila... (Inclina-se. Sóbe-lhe para a cabeça o cabeção da casaca.)
(á parte) Não posso dár á cabeça,
Que me não suba a mochilla!
D. DIOGO (apertando a mão á baroneza)
E tem que me agradecer,
Porque o primo não queria
Vir ao baile!
BARONEZA
Póde ser!
D. DIOGO
Só questão de toilette.
Mas emfim...
D. MENDO
(á parte) Vim de casaca,
E ainda cabiam mais sete!
BARONEZA
O barão, quando soubér,
Ha de ficar encantado
Co’a surpreza do morgado.
Eu mesma lh’o vou dizer.
E agora, morgado, goze,
Que entre a fina flôr do Minho
Não ha quem lhe leve a palma,
Quem tenha mais gentil alma,
Melhor sangue em pergaminho,
Além do que nós sabemos...
Pois por cá todos lhe dão
Umas cem pipas de vinho
E oitenta carros de pão.
D. MENDO
Ai! baroneza! Foi tempo!...
Já não sou quem d’antes era.
Sinto-me triste, sou mono.
Matou-me o phylloxera!
Deu nas vinhas... e no dono!
BARONEZA
Não se chore... pobresinho!
Que não é occasião.
Se quizer... compro-lhe o vinho,
Seu primo... compra-lhe o pão.
D. DIOGO
Está dito, baroneza.
Quer o meu braço?
BARONEZA
Pois não!
Morgado, goze, namore,
Que eu vou dizer ao barão. (A baroneza e D. Diogo saem de braço dado por uma das portas lateraes.)