V
—«Ó filho, foi-te oráculo
O genio meu profundo:
Ó filho, achaste um mundo
No berço imperial.
Que resplendor, que auréola
De gloria, de thesouros,
De conquistados louros,
De pompa triumphal!
Cesar, que vens de Césares,
Deus pôz-te, alma adorada,
A tradicção, a espada
Nos braços infantis.
Nasceste rei. Teu titulo
Da mór grandesa assoma.
Nasceste rei de Roma,
E Roma o globo diz.
C'a herança conta. Alargo-t'a.
A immensa monarchia
Apuro noite e dia
No paternal crysol.
Legar-te quero o circulo
Que os povos encorpora,
Desd' onde surge a aurora,
Té onde baixa o sol.
Dissiparão no vórtice
Os diques derradeiros
Meus bravos granadeiros,
Meus esquadrões sem fim.
Da cupula estellifera
Dominarás robusto,
Ó tu, futuro Augusto,
Que és hoje cherubim.
Meu mando, egregio e próvido,
Cabal a terra invade.
Não mais que uma vontade,
Que um throno, e que um altar!
É tempo. Os fados cumprem-se.
Desvende-se o mysterio...
Universal imperio
Começo hoje a fundar!...»