GONÇALO

Não, sr.^a D. Maria Joanna. Admiro a nobreza do seu animo… para mais sentir o que n'elle perco… mas o sacrificio da sua mocidade pesaria eternamente sobre a minha consciencia.—Restituo-lhe a palavra que me deu. É livre.

D. MARIA JOANNA (solemne e decidida)

Sr. Gonçalo Mendo, se na sua familia o juramento é timbre que a tudo sobreleva, na minha casa dão-se juntamente o coração e a palavra, e a palavra só deixa de obrigar quando o coração deixa de bater. Póde julgar-se livre; eu não. Se tiveramos tempo de consagrar a nossa alliança, podia negar-me o favor de acompanhal-o? Se estivessemos já unidos á face do altar, teria acaso direito de dizer-me: «restituo-lhe a palavra e a liberdade?» Considero-me ligada perante Deus: só Deus me póde desligar. Ámanhã recolho-me ao convento de Santos. Unicamente a sua mão me abrirá aquellas grades!