Sentemo-nos Senhores;
Que grave Tribunal! Que magestoso!
Mal sabe o Mundo agora, que pendente
Deste conclave está o seu destino.
Oh quanto, amada Patria, quanto deves
A teu bom Cidadaõ Aprigio Tafes,
Suando, e tressuando por salvarte
Do pélago profundo da Ignorancia,
Onde pobre jazias, atolada,
Entre pessimos Dramas corviqueiros! &c.

[386] The following is a part of this patriotic apostrophe:—

Vós Manes do Ferreira, e de Miranda:
E tu, ó Gil Vincente, a quem as graças
Embaláraõ o berço, e te gravaraõ
Na honrada campa o nome de Terencio;
Esperai esperai, q’inda vingados,
E soltos vos vereis do esquecimento.
Illustres Portuguezes, no Theatro
Naõ negueis hum lugar ás vossas Musas:
Ellas, naõ as alheias, publicaráõ
De vossos bons Avôs os grandes feitos,
Que eternos soaráõ em seus Escritos:
E podeis esperar paga taõ nobre,
Se detestando parecer ingrato,
Lhe defenderdes o Paterno Ninho,
E quizerdes com honra agazalhallas.

[387] In old and genuine Portuguese the word partida means parting, and has not the signification of the French partie.

[388] Poesias de Paulino Cabral de Vasconcellos, &c. Porto, 1786, in 8vo. A second volume of these poems has been printed, but I have not seen it.

[389] For example, the following sonnet on modern judges, who are at the same time men of fashion.

Vós que o mundo regeis, Padres conscriptos,
(O que eu vos naõ invéjo) e que prudentes
De promessas encheis aos pretendentes,
E de esperanças vans aos Réos afflictos:
Vós que lêdes processos infinitos;
Que soffreis cavilózos requerentes;
Cartas, memoriaes impertinentes;
E por fim castigaes poucos delictos;
Vós ficai-vos em paz; porque occupados
Naõ deveis ser com clausulas escriptas
De quem sem pleitos vive, e sem cuidados.
Basta-me só que ás vezes nas vizîtas.
As vêjaõ Petimetres namorados,
As ouçaõ sem desprêzo as Senhorîtas.

[390] For example, the following:—

Ou fosse, Nize, em nós pouca cautella,
Ou que alguem presentisse o nosso enleyo,
Tudo se sábe já: tudo hé já cheio,
Qu’ algum cuidado ha muito nos disvella.
Dizem, qu’eu son feliz, que tu es bella;
E ás vêzes com satirico rodeio,
Hum murmûra, outra zomba, e sem receio
A fama cada qual nos atropella.
Mas se nunca se tapa a boca á gente,
E se amôr sempre activo nos devóra,
Porque aquella he mordaz, porque este ardente;
Adorêmo-nos pois como até agora:
Siga-se amôr; arraste-se a corrente;
E se o mundo fallar, que falle embóra.

[391] Osmîa, tragedia de assumpto Portuguez, em cinco actos, coroada pela Academia Real das Sciencias de Lisboa, em 13 de Mayo de 1788. Segundo ediçaõ, Lisboa, 1795, in 4to.