Ouvio-lhe estas palavras piedosas
A formosa Dióne, e commovida,
De entre as Nymphas se vai, que saudosas
Ficáram desta subita partida.
Já penetra as estrellas luminosas;
Já na terceita Esphera recebida
Avante passa; e lá no sexto Ceo
Par onde estava o Padre se moveo.
***
E por mais mormorar o soberano
Padre, de quem foi sempre amada, e chara,
Se lhe apresenta asi como ao Troiano
Na selva Idea já se apresentára.
Se a víra o caçador, que o vulto humano
Perdeo, vendo a Diana na agua clara,
Nunca os famintos galgos o matáram;
Que primeiro desejos o acabáram.
O crespos fios de ouro se esparziam
Pelo colo, que a neve escurecia;
Andando, as lacteas tetas lhe tremiam,
Com quem Amor brincava, e naõ se via.
***
Canto II.

[148] One of the stanzas commences as follows:—

Eis aqui se descobre a nobre Hespanha,
Como cabeça alli de Europa toda;

And another runs thus:—

Eis aqui como cume da cabeça
De Europa toda o Reino Lusitano.

[149] Cant. III. Estancia 35:—

Is this Egaz, or Egas Moniz, the same individual who is celebrated as one of the earliest Portuguese poets? See p. [5].

[150] In these descriptions the poet invariably seizes every favourable opportunity of introducing picturesque comparisons. Similies are indeed crowded together as closely as in the battle pictures of the Iliad; for example:—

Qual co’os gritos e voces incitado,
Pela montanha o rabido moloso,
Contra o touro remette, que fiado
Na força está do corno temeroso.
Ora pega na orelha, ora no lado,
Latindo mais ligeiro que forçoso.
Até que em fim rompendo lhe a garganta,
Do bravo a força horrenda se quebranta:
Tal do Rei novo o estomago accendido,
Por Deos, e pelo povo juntamente,
O barbaro comette apercebido,
Co’o animoso exército rompente.
Levantam nisto os perros o alarido
Dos gritos; tocam arma, ferve a gente:
As lanças e arcos tomam; tubas sôam;
Instrumentos de guerra tudo astrôam.
Bem como quando a flamma, que ateada
Foi nos áridos campos (assoprando
O sibilante Boreas) animada
Co’o vento o secco mato vai queimando.
A pastoral companha, que deitada
Co’o doce somno estava, despertando
Ao estridor do fogo, que se atêa,
Recolhe o fato, e foge para a aldêa:
Desta arte o Mouro attonito e torvado,
Toma sem tento as armas mui depressa;
Naõ foge, mas espera confiado,
E o ginete belligero arremessa.
O Portuguez o encontra denodado,
Pelos peitos as lanças lhe atravessa:
Huns cahem meios mortos, e outros vaõ
A ajuda convocando de Alcoraõ.
Canto III. 47.

[151] This description commences as follows:—