[175] The following passage, which is from the beautiful fifth elegy, must not be omitted in this collection:—
Oh bemaventurado seja o dia
Em que tomei taõ doce pensamento,
Que de todos os outros me desvia!
E bemaventurado o soffrimento
Que soube ser capaz de tanta pena,
Vendo que o foi da causa o entendimento.
Faça-me quem me mata, o mal que ordena,
Trate-me com enganos, desamores;
Que entaõ me salva quando me condena.
E se de taõ suaves desfavores,
Penando vive hum’ alma consumida,
Oh que doce penar! Que doces dores!
E se huma condição endurecida
Tambem me nega a morte por meu dano,
Oh que doce morrer! Que doce vida!
[176] The principal idea of this song of sorrow, the beauties of which are perfectly national, is the comparison of the present and the past in the situation of the poet, with an imaginary Babylon and Sion. Sion represents the past. The first half of the poem affords no anticipation of the nature of the second half:—
Sobre os rios, que vaõ
Por Babylonia me achei,
Onde sentado charei
As lembranças de Siaõ,
E quanto nelle passei.
Alli o rio corrente
De meus olhos foi manado,
E todo bem comparado,
Babylonia ao mal presente,
Siaõ ao tempo passado.
Among the most beautiful stanzas are those in which the poet celebrates the power of song in sorrow, and the limits of that power.
Canta o caminhante lédo,
No caminho trabalhoso,
Por entre o espesso arvoredo,
E de noite o temeroso
Cantando refrê a o medo.
Canta o preso docemente,
Os duros grilhões tocando;
Canta o segador contente;
E o trabalhador cantando,
O trabalho menos sente.
Eu que estas cousas senti
N’alma, de mágoas taõ chêa,
Como dirá, respondi,
Quem alheo está de si,
Doce canto em terra alhêa?
Como poderá cantar
Quem em choro banha o peito?
Porque, se quem trabalhar,
Canta por menos cansar,
Eu só descansos engeito.
Que naõ parece razaõ
Nem seria cousa idonia,
Por abrandar a paixaõ,
Que cantasse em Babylonia
As cantigas de Siaõ,
Que quando a muita graveza,
De saudade quebrante
Esta vital fortaleza,
Antes morra de tristeza,
Que por abrandá-la cante.
[178] For example:—
Verdes saõ os campos,
De côr e limaõ:
Assi saõ os olhos
De meu coraçaõ.
Campo, que te estendes
Com verdura bella;
Ovelhas, que nella
Vosso pasto tendes;
De hervas vos mantendes,
Que traz o Veraõ,
E eu das lembranças
Do meu coraçaõ,
Gados, que passeis
Com contentamento,
Vosso mantimento
Naõ o entendeis.
Isso que comeis,
Naõ saõ hervas, naõ
Saõ graça dos olhos
Do meu coraçaõ.