Leva de amor privilegios
E de Diana licenças
Para castigo de brutos,
Para encanto de bellezas.
Contra as bellezas dos bosques,
E os moradores das penhas
Dos olhos fulmina rayos,
E das maõs despede settas.
Lastima, e horror a hum tempo
Monte, e valle representa,
Naquelle gemendo brutos,
Neste suspirando Deosas; &c.
[304] Even this sonnet is inserted in the Fenix renascida as a sample of excellence:—
Naõ viste, ó Licio, o ar de horror vestido
Arrastar negras sombras enlutado?
Melancolico o Ceo como enfiado
No regaço da noite adormecido?
Naõ viste, que de luz destituido
Deo ao orbe celeste esse cuidado
O Sol, paludamente agonizado,
De opposiçaõ maligna comprehendido?
Pois agora verás no mal presente
Pela morte de Filis toda a esfera
Padecer alta dor, grave accidente.
Que se em fim nesta ordem, que se altera,
Por hum Sol eclipsado isto se sente
Por hum Sol já defunto que se espera?
[305] The collection is entitled, Parnasso Lusitano de divinos e humanos versos, Lisb. 1733, in two vols. octavo. Several of Violante do Ceo’s poems, both Portuguese and Spanish, particularly sonnets, are included in the first volume of the Fenix renascida.
[306] The whole sonnet is here subjoined. Were it not for the celebrity of the authoress, it would scarcely be worth while to augment this collection of examples by such a specimen:—
Musas, que no jardim do Rey do dia
Soltando a doce voz, prendeis o vento:
Deidades, que admirando o pensamento
As flores augmentais, que Apollo cria;
Deixay, deixay do Sol a companhia,
Que fazendo invejoso o Firmamento
Huma Lua, que he Sol, e que he portento,
Hum jardim vos fabrica de harmonia.
E porque naõ cuideis que tal ventura
Póde pagar tributo á variedade
Pelo que tem de Lua a luz mais pura:
Sabey que por mercé da divinidade,
Este jardim canoro se assegura
Com o muro immortal da eternidade.
Si fue para tal Sol el mundo Occaso,
Tambien es de tal Sol el ciel Oriente.
Tu que Arraes deves ser da vital barca
Que navega no mar do mal tyranno,
Novo Galeno, Apollo Lusitano,
Medico em fim do Portuguez Monarca.