Tu precisas perder esse teu ar de adventicio
E um certo horror ao vicio,
D'um pedantismo ignaro;
Formosura sem vicio é coisa que não tenta;
O vicio, meu amigo, é bom como a pimenta,
E o defeito que tem é ser um pouco caro.
Conversemos, alegra a tua fronte augusta.
Sê espirituoso, inventa, o que te custa!
Uma infamia qualquer muitissimo engenhosa...
Tens um amigo? bem, vamos calumnial-o;
Tens amantes? melhor, eu dou-te o meu cavallo
E dás-me a mais formosa.
Parece que o rubor te vai subindo ás faces...
Ó Filho, não me masses!
Ó Filho, tem piedade!
Deixa-te de sermões; no fim de contas eu
Sou muito bom christão... um poucochinho atheu,
Como um christão qualquer da fina sociedade.
Saiamos; rompe a aurora. A burguezia dorme,
Como a giboia enorme
Que resona, depois de devorar um toiro;
Ó giboia feliz, ó burguezia, ò pança,
Dorme com segurança