Recolhiam-se a casa os lavradores.
Dormiam virginaes as coisas mansas:

Os rebanhos e as flores,
As aves e as creanças.

Ia subindo a escada o velho abbade;
A sua negra, athletica figura
Destacava na frouxa claridade,

Como uma nodoa escura.

E introduzindo a chave no portal

Murmurou entre dentes:
«Tal e qual... tal e qual!...

Guisados com arroz são excellentes.»


Nasceu a lua. As folhas dos arbustos
Tinham o brilho meigo, avelludado
Do sorriso dos martyres, dos justos.
Um effluvio dormente e perfumado
Embebedava as seivas luxuriantes.
Todas as forças vivas da materia
Murmuravam dialogos gigantes
Pela amplidão etherea.
São precisos silencios virginaes,
Disposições sympathicas, nervosas,
Para ouvir estas fallas silenciosas
Dos mudos vegetaes.
As orvalhadas, frescas espessuras
Presentiam-se quasi a germinar.
Desmaiavam-se as candidas verduras
Nos Magnetismos brancos do luar.
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