E n'isto o melro foi direito ao ninho.
Para o agasalhar andou buscando
Umas pennugens doces como arminho,
Um feltrosito assetinado e brando.
Chegou lá, e viu tudo.
Partiu como uma frecha; e louco e mudo
Correu por todo o matagal; em vão!
Mas eis que solta de repente um grito
Indo encontrar os filhos na prisão.
«Quem vos metteu aqui?!» O mais velhito
Todo tremente, murmurou então:
«Foi aquelle homem negro.—Quando veio
Chamei, chamei... Andavas tu na horta...
Ai que susto, que susto! Elle é tão feio!...
Tive-lhe tanto medo!... Abre esta porta,
E esconde-nos debaixo da tua aza!
Olha, já vão florindo as assucenas;
Vamos a construir a nossa casa
N'um bonito logar...
Ai! quem me dera, minha mãe, ter pennas
Para vôar, vôar!»
E o melro hallucinado
Clamou:
«Senhor! Senhor!
É por ventura crime ou é peccado
Que eu tenha muito amor
A estes innocentes?!
Ó natureza, ó Deus, como consentes
Que me roubem assim os meus filhinhos,