—Pois não comprehende! extranhou o estudante. Vai comprehender. Hontem á noite, estando nós a ceiar no Hotel Escoveiro e tendo os retratos de Soledad sobre a mesa, entrou inesperadamente D. Enrique Saavedra.
—Oh diabo! exclamou o photographo. E elle soube que sou eu quem os tiro?!
—Qual historia! Quando elle entrou, eu tive a idéa luminosa de apagar o candeeiro...
—Então não foi luminosa, exclamou o photographo já tranquillo, e contente de si, por ter feito um dito gracioso.
—É boa! exclamou o estudante, rindo estrepitosamente, e dando dois piparotes no estomago do photographo. Apanhou-a bem!...
—É que d’estas coisas de luz, um photographo entende sempre.
E riram de novo.
—Ora bem, continuou Julio de Lemos. Eu tive a escura idéa de apagar o candeeiro, e de procurar em cima da mesa os retratos de Soledad. Durante a viagem das minhas mãos por sobre a toalha, introduzi uma d’ellas dentro de uma chicara de café, e estive para partir uma garrafa. Mas, felizmente, pude apanhar todos os retratos. São estes.
O photographo começou a comprehender; sorria velhacamente.
—Hoje, continuou o estudante, todos os hospedes do Hotel Escoveiro irão a sua casa procurar retratos de Soledad, e o sr. venderá estes mesmos, exceptuando o meu, se quizer acceitar as condições que lhe vou propôr.