—O senhor viu alguma vez a Cora em D. Maria II?

—Vi, sim, respondeu promptamente o photographo. E acrescentou:—Uma só vez, sabe Deus com que sacrificio! para vêr o panorama do Mississipi, que me tinham gabado muito,—por amor da arte!

—Pois bem. Lembra-se como o Cesar de Lima fechava um acto?...

O senhor já viu alguma vez a Providencia? Pois a Providencia sou eu! Parece-me que era isto.

—Exactamente. É essa a phrase, observou Julio de Lemos. Em Lisboa a Providencia é o Cesar de Lima; em Setubal, sou eu.

—O senhor!

—Eu mesmo, me adsum.

E tirou do bolso do frak todos os retratos que na vespera á noite havia podido encontrar sobre a mesa do Hotel Escoveiro, para que D. Enrique Saavedra os não visse. Mostrou-os ao photographo dizendo-lhe:

—Vê isto?

—Vejo. São os retratos da senhorita Soledad, como o photographo, no seu calão de circo, costumava chamar sempre á bella andaluza. Mas não comprehendo!