O jornalista lisboeta gritou que deixassem ouvir.
Então D. Enrique declarou o que queria: Procurar o cirurgião ajudante de caçadores 1, para acudir a D. Estanislada, que estava afflictissima com uma indigestão de peixe-espada e salada d’alface.
II
No dia seguinte, Julio de Lemos, o estudante de Alcacer do Sal, passeiava a sua paixão escholastica sob as arvores do largo das Almas, quando de repente lhe apparece, de physionomia completamente transtornada, o photographo ambulante. Que se encontrava n’uma situação afflictissima, disse-lhe o retratista. Um agiota de Lisboa, a quem devia cem mil réis, sabendo que estava fazendo interesses em Setubal, cahira sobre elle de chofre, tendo chegado no comboyo da manhã, para exigir-lhe o prompto reembolso de uma parte da divida. Que elle photographo se havia esquecido realmente de satisfazer as prestações estipuladas, que a mulher e os filhos gostavam muito de bifes, e que elle gostava não só de bifes mas tambem de moscatel de Azeitão. Que não tinha dinheiro algum de que podesse dispôr, e que o agiota queria retirar-se para Lisboa no comboyo da tarde, levando algum dinheiro. Sou um homem muito desgraçado! exclamava o photographo. E acrescentava: Portugal é um paiz perdido para os artistas! São todos como eu. (Referia-se certamente á pobreza, não ao moscatel e aos bifes).
O estudante ouviu-o tendo nos labios um sorriso de extranha superioridade, com as mãos nos bolsos das calças, enfunando-as á hussard. E perguntou ao retratista: