O sueco, esse, embebedava-se com kirsch, e tornava-se inintelligivelmente gárrulo. Punha os olhos no tecto, parecendo recitar as mais sentimentaes estrophes da Scandinavia, ao passo que os portuguezes choravam de riso ao vel-o arroubado, e perguntavam entre si: «Que diabo estará a dizer este pedaço de bruto!»
Uma noite, havia dado uma hora na egreja de S. Julião, e no Hotel Escoveiro o grupo dos enamorados abordava a setima garrafa de moscatel, tendo cada um o retrato de Soledad em frente do seu prato, quando de repente, á porta da sala, uma figura inesperada apparece.
Era D. Enrique Saavedra.
O estudante d’Alcacer, que receiou uma tragedia de colera paterna em cinco actos e outras tantas bengaladas, lembrou-se de apagar o candeeiro.
Fez-se um silencio profundo, que o sueco, alheio ao que se passava, e grandemente enkirschado, interrompeu começando a declamar palavras de quinze syllabas, longas e sibilantes como um comboyo.
De repente, a voz de D. Enrique troveja:
—Hombres, por Dios, atencion!
O estudante foi tacteando a meza, ás escuras, para esconder os retratos, e aconteceu-lhe metter uma das mãos dentro de uma chicara de café.
O sueco calou-se, porque o proprietario das Alcaçovas lhe deitou as mãos ás guelas.