XIV
D. Ramon Mendoza, que era o hespanhol mais insipido de que ha memoria, não conquistára vantagens amorosas junto de Soledad.
Ella achava-o, como toda a gente, uma individualidade incolor, fugidia, d’estas que não deixam a ninguem uma impressão duradoira.
Apesar de vêr muito dizimada a sua côrte galante, Soledad não dava maior attenção ao hespanholito. Nem o coração nem a razão a impelliam para elle. O coração recebia-o com indifferença; a razão dizia a Soledad que, depois de ter tido um tão variado cortejo, seria um desaire recorrer á prata de casa,—a um patricio insignificante.
Sabendo que o sueco voltára a Setubal, lembrou-se de atiçar de novo a chamma do amor n’esse coração da Scandinavia, que tanta vez se lhe havia rendido. Mas por onde andava elle, que lhe não apparecia?