N’esse momento tres corações de mulher monologaram simultaneamente.
O coração de Ricardina:
—É elle!
O coração de Soledad:
—É elle!
O coração de D. Estanislada:
—É elle!
O sueco observava de longe, via dois vultos de mulher nas janellas da casa de D. Enrique, sem comtudo poder distinguil-os. Mas um d’esses vultos havia de ser, certamente, o de Soledad, e então aviventou-se no coração do sueco o rescaldo da agradavel impressão, que a belleza d’essa mulher lhe havia causado.
Ella era realmente formosa, tinha uma graça acirrante, uma graça meridional, que punha em vibração os nervos de todos os homens, especialmente os de um homem do norte.
Mas Ricardina, sem ser tão bella, nem tão graciosa, sabia melhor talvez conquistar e deixar-se conquistar. As pequenas felicidades que Ricardina já lhe havia concedido, eram o prologo tentador de uma promessa, e não ha homem nenhum, seja do norte ou do sul, que se não sinta vibrante a dois passos de uma posse sem restricções.