Estava, pois, o sueco ardendo em dois fogos, e muito longe de imaginar que um terceiro incendio o ameaçava de perto. Esse terceiro incendio era D. Estanislada.

De repente, olhando do escuro para a casa de D. Enrique, viu mexer-se n’uma das janellas um lenço branco.

Era o lenço de Soledad.

D’ahi a momentos, na segunda janella, outro lenço branco passou cavillosamente pelas narinas de D. Estanislada.

Elle viu tudo isto, e, sem poder reconhecer Soledad nem D. Estanislada, ficou cada vez mais desorientado.

Lembrando-se de que Ricardina, comquanto tivesse a janella fechada, o devia estar esperando, olhou para o rez-de-chaussée, e viu uma ponta de lenço assomar por baixo da vidraça e logo desapparecer.

Sem saber o que fizesse, deixou-se estar no escuro, esperando os acontecimentos.

D’ahi a pouco, um lenço branco cahiu de uma das janellas de D. Enrique para a rua, e ouviu-se descer uma vidraça.

Era Soledad que ia deitar-se e que, disfarçadamente, para que a mãe não désse por isso, tinha deixado cahir o lenço como de um balcão da idade média.