E fechou a porta da rua. Depois fechou as portas da janella.
E o sueco achou-se em plena rua, cada vez mais atarantado, sem perceber nada de tudo aquillo.
Ricardina estava como uma bicha contra o sueco, contra as hespanholas, contra o enguiço d’aquella noite.
Jurava vingar-se de tudo e de todos, e, tendo visto cahir os lenços, quizera adquiril-os como prova da leviandade de Soledad e de D. Estanislada. Percebera, com a sua aguda intuição maliciosa, a comedia representada pela mãe e pela filha, procurando enganarem-se uma á outra.
A primeira ideia de Ricardina foi lançar mão de todos os meios que podessem libertal-a da visinhança das hespanholas: lembrou-se de mandar os lenços a D. Enrique, dentro de uma carta anonyma, em que lhe explicasse o que se tinha passado.
Mas receando ir provocar uma tragedia domestica—como ella conhecia mal D. Enrique!—resolveu, por fim, enviar á filha o lenço da mãe, enviar á mãe o lenço da filha, descobrindo o plano de ambas, e ameaçando-as com uma denuncia.
Assim fez. Chamou um rapasito que tinha andado com ella na escóla, e encarregou-o de escrever as duas cartas, e de sobrescriptal-as.
A D. Estanislada dizia:
«Ahi vae o lenço que a senhora sua filha atirou hontem ao sueco, pensando que usted não dava por isso. Tenha tento na bola, quando não eu aviso o seu homem, e espalho em toda a cidade este grande escandalo. O melhor é safar-se d’aqui quanto antes.»
Para Soledad o texto era este: