E o Marcolino, que foi o primeiro republicano que pimpolhou em Setubal, respondeu-lhe mentalmente:
—Tens que esperar!...
Mas saber o Marcolino uma noticia era o mesmo que sabel-a todo o café Esperança, e, dentro de algumas horas, toda a cidade de Setubal, e, dentro d’alguns dias, as aldeias de Azeitão e a povoação de Palmella.
—Que D. Enrique se iba a marchar, dizia-se, espalhava-se.
No café Esperança apertavam D. Ramon Mendoza, troçavam-n’o, perguntavam-lhe se elle não fazia valer os direitos que a sorte lhe concedera; que casta de hespanhol era elle, que deixava fugir, sem a ter ferido no coração, a sua bella patricia?
E D. Ramon, muito indifferente, muito insôsso, pedia gazoza, e respondia sorrindo:
—Que santos de casa não fazem milagres.
Não tardou a chegar ao conhecimento da menina Ricardina a noticia de que a familia Saavedra ia retirar-se. Ricardina ficou contentissima, e a sr.ª Magdalena não o ficou menos, porque havia arrendado a casa por seis mezes a D. Enrique, e poderia alugal-a ainda outra vez, para aproveitar o resto da estação balnear.
Ricardina, na esperança de que a noticia fosse verdadeira, achou que devia tratar o sueco de modo a desvial-o de Soledad, sem comtudo se alargar em concessões, que o satisfizessem.