Assim foi que se mostrou menos crua para elle: abriu a janella, e permittiu-lhe que a beijasse nas mãos.

—Só nas mãos, porque, dizia ella, não podia confiar n’elle.

O sueco pretendeu mais uma vez justificar-se, e contou a Ricardina a scena que tivera com as hespanholas, que não só o não cumprimentaram, mas até o mimosearam com epithetos offensivos.

—O sr. é que tem a culpa de tudo isso! disse-lhe Ricardina continuando a fingir-se ciumenta.

—Eu! nó! respondeu elle com uma convicção muito guttural.

—Pois quem! O sr. andava a acolytal-as a ambas, á mãe e á filha, e não queria levar com as galhetas na cara!

O sueco percebeu pouco d’esta metaphora, que Ricardina aprendera nos habitos devotos, egrejeiros da mãe.

E ella, muito tagarella, continuára moendo palavras:

—Sabe o sr. o que deve fazer agora?

—Nó saberr!