Recommendou-lhe que fosse contar tudo ao Marcolino, marcador do bilhar no café Esperança, porque era esse o melhor meio de vulgarisar o caso em toda a cidade.

O rapazito, a quem Ricardina dera um tostão, foi logo comprar amendoas e cigarros á loja do Passos, na Praça do Bocage, e depois ao café Esperança contar a historia ao marcador.

Á tarde, os habitués do botequim commentavam o caso rindo, e ao anoitecer constava em toda a cidade que D. Estanislada, a leôa velha, como começavam a chamar-lhe, usava dentes postiços.

D’ahi a quarenta e oito horas appareceu em Setubal, inesperadamente, D. Enrique Saavedra.

Foi direito da estação do caminho de ferro a casa da sr.ª Magdalena.

—Então o sr. D. Enrique outra vez por cá?! perguntou a beata.

—Dizia que não queria mais nada da nossa terra! atalhou Ricardina.

Que broma! exclamou D. Enrique. Olvidé una joya que vengo à buscar.

—Uma joia! Credo, Senhor Jesus do Bomfim! que falso testemunho! exclamou a mãe de Ricardina.