Depois poz em relevo a prudente astucia com que o Padre Eterno, pois que no café todos lhe chamavam assim, se safára com as netas e as hespanholas quando vira romper as hostilidades entre o estudante e o jornalista.

Disse que, logo que o barco partiu, o sueco investira, muito bebado, contra o estudante, accusando-o de acintosamente ter ido sentar-se ao lado de Soledad para o prejudicar nas vantagens que, como preferido, havia conquistado nos ultimos dias.

Que, por sua vez, o estudante, não menos bebado, começara a implicar com o Goes, accusando-o de o ter querido metter a ridiculo, prejudicando-lhe o improviso com uma gargalhada insolente.

O sueco agarrava-se ao estudante, e o estudante ao jornalista.

Fôra preciso que os outros interviessem apartando-os a murro, e contou o tenente que o proprietario das Alcaçovas conseguira abalar a columna vertebral e a colera do sueco com um valente pontapé applicado em cheio no sitio em que as costas mudam de nome.

—E a Scandinavia resoou! observou humoristicamente o alferes Ruivo.

Gargalhada geral.

—Que no meio de toda esta balburdia o morgado de Reguengos lembrára jovialmente que, para de uma vez pôr termo a tão impertinentes conflictos, e definir a situação de todos, o melhor seria confiar á sorte a distribuição do papel amoroso de cada um.

Esta lembrança produzira um excellente effeito, foi como que um punhado de areia atirado aos olhos de todos. Cegou-os. Todos imaginavam que seriam favorecidos pela fortuna e que, d’esse modo, ficariam livres de concorrentes perigosos e incommodos.