—Cala-te, coisa ruim! Não ouviste?

Florinda soluçou mais forte.

—Ah! choras sem motivo?... Espera, que te faço chorar com razão!

E precipitou-se sobre uma acha de lenha.

Mas a mulatinha, de um salto, pinchou pela porta e atravessou de uma só carreira o pateo da estalagem, fugindo em desfilada pela rua.

Ninguem teve tempo de apanhal-a, e um clamor de gallinheiro assustado levantou-se entre as lavadeiras.

Marcianna foi até ao portão, como uma doida e, comprehendendo que a filha a abandonava, desatou por sua vez a soluçar, de braços abertos, olhando para o espaço. As lagrimas saltavam-lhe pelas rugas da cara. E logo, sem transição, disparou da colera, que a convulsionava desde a manhã da vespera, para cahir n'uma dôr humilde e enternecida de mãe que perdeu o filho.

—Para onde iria ella, meu pai do ceu?...

—Pois você desd'hontem que bate na rapariga!... disse-lhe a Rita. Fugio-lhe, é bem feito! Que diabo! ella é de carne, não é de ferro!

—Minha filha!