Principiou então o sarilho grosso. Os sabres não podiam alcançar ninguem por entre a trincheira; ao passo que os projectis, arremeçados lá de dentro, desbaratavam o inimigo. Já o sargento tinha a cabeça partida e duas praças abandonavam o campo, á falta de ar.

Era impossivel invadir aquelle baluarte com tão poucos elementos, mas a policia teimava, não mais por obrigação que por necessidade pessoal de desforço. Semelhante resistencia os humilhava. Se tivessem espingardas fariam fogo. O unico d'elles que conseguio trepar á barricada, rolou de lá abaixo sob uma carga de páo e teve de ser carregado para a rua pelos companheiros. O Bruno, todo sujo de sangue, estava agora armado de um refle e o Porfiro, mestre na capoeiragem, linha na cabeça uma barretina de urbano.

—Fóra os morcegos!

—Fóra! Fóra!

E, a cada exclamação, tome pedra! tome lenha! tome cal! tome fundo de garrafa!

Os apitos estridulavam mais e mais fortes.

N'essa occasião, porém, Nênêm gritou, correndo na direcção da barricada.

—Acudam aqui! Acudam aqui! Ha fogo no numero 12. Está sahindo fumaça!

—Fogo!

A este grito um panico geral apoderou-se dos moradores do cortiço. Um incendio lamberia aquellas cem casinhas emquanto o diabo esfrega um olho!