—Sim! Sim! insistio Leonie, fechando-a entre os braços, como entre duas columnas e pondo em contacto com o d'ella todo o seu corpo nú.

Pombinha arfava, reluctando; mas o attrito d'aquellas duas grossas pomas irrequietas sobre o seu mesquinho peito de donzella impubere, e o roçar vertiginoso d'aquelles cabellos asperos e crespos nas estações mais sensitivas da sua feminilidade, acabaram por foguear-lhe a polvora do sangue, desertando-lhe a razão ao rebate dos sentidos.

Agora, espolinhava-se toda, cerrando os dentes, fremindo-lhe a carne em crispações de espasmo; ao passo que a outra, por cima, doida de luxuria, irracional, feroz, revoluteava, em corcovos de egoa, bufando e relinchando.

E mettia-lhe a lingoa tersa pela bocca e pelas orelhas, e esmagava-lhe os olhos debaixo dos seus beijos lubrificados de espuma, e mordia-lhe o lobulo dos hombros, e agarrava-lhe convulsivamente o cabello, como se quizesse arrancal-o aos punhados. Até que, com um assomo mais forte, devorou-a num abraço de todo o corpo, ganindo ligeiros gritos, seccos, curtos, muito agudos, e a final desabou para o lado, exanime, inerte, os membros atirados n'um abandono de bebado, soltando de instante a instante um soluço estrangulado.

A menina voltára a si e torcêra-se logo em sentido contrario á adversaria, cingindo-se rente aos travesseiros e abafando o seu pranto, envergonhada e corrida.

A impudica, mal orientada ainda e sem conseguir abrir os olhos, procurou animal-a, ameigando-lhe a nuca e as espaduas. Mas Pombinha parecia inconsolavel, e a outra teve de erguer-se a meio e puxal-a como uma criança para o seu collo, onde ella foi occultando o rosto, a soluçar baixinho.

—Não chores assim, meu amor!...

Pombinha continuou a soluçar.

—Vamos! Não quero ver-te d'este modo!... Estás zangada commigo?...

—Não volto mais aqui! nunca mais! exclamou por fim a donzella, desgalgando o leito para vestir-se.