—Diga-me uma coisa, inquerio aquella; você muda-se?

A mulata não contava com semelhante pergunta, assim á queima-roupa; ficou calada sem achar o que responder.

—Muda-se, não é verdade? insistio a outra, fazendo-se vermelha.

—E o que tem você com isso? Mude-me ou não, não lhe tenho de dar satisfações! Metta-se lá com a sua vida! Ora esta!

—Com a minha vida é que te metteste tu, cigana! exclamou a portugueza, sem se conter e avançando para a porta com impeto.

—Hein?! Repete, cutruca ordinaria! berrou a mulata, dando um passo em frente.

—Pensas que já não sei de tudo? Maleficiaste-me o homem e agora carregas-me com elle! Que a má coisa te saiba, cabra do inferno! Mas deixa estar que has de amargar o que o diabo não quiz! quem t'o jura sou eu!

—Pula cá pr'a fóra, perúa chóca, se és capaz!

Em torno de Rita já o povaréo se reunia alvoroçado; as lavadeiras deixaram logo as tinas e vinham, com os braços nús, cheios de espuma de sabão, estacionar ali ao pé, formando roda, silenciosas, sem nenhuma d'ellas querer metter-se no barulho. Os homens riam e atiravam chufas ás duas contendoras, como succedia sempre quando no cortiço qualquer mulher se disputava com outra.

—Isca! Isca! gritavam elles.