Como os outros, cuspi no altar avito
Um rir feito de fel e de impureza…
Mas, um dia, abalou-se-me a firmeza,
Deu-me rebate o coração contricto!

Erma, cheia de tedio e de quebranto,
Rompendo os diques ao represo pranto,
Virou-se para Deus minha alma triste!

Amortalhei na fé o pensamento,
E achei a paz na inercia e esquecimento…
Só me falta saber se Deus existe!

SEPULTURA ROMANTICA

Ali, onde o mar quebra, num cachão
Rugidor e monotono, e os ventos
Erguem pelo areal os seus lamentos,
Ali se hade enterrar meu coração.

Queimem-no os sóes da adusta solidão,
Na fornalha do estio, em dias lentos;
Depois, no hinverno, os sopros violentos
Lhe revolvam em torno o árido chão…

Até que se desfaça e, já tornado
Em impalpavel pó, seja levado
Nos turbilhões que o vento levantar…

Com suas lutas, seu cançado anceio,
Seu louco amor, dissolva-se no seio
Desse infecundo, desse amargo mar!

LOGOS

(Ao sr. D. Nicolas Salmeron)