ELOGIO DA MORTE

Morrer é ser iniciado.

Anthologia grega.

I

Altas horas da noite, o Inconsciente
Sacode-me com força, e acórdo em susto.
Como se o esmagassem de repente,
Assim me pára o coração robusto.

Não que de larvas me povôe a mente
Esse vacuo nocturno, mudo e augusto,
Ou forceje a rasão por que afugente
Algum remorso, com que encara a custo…

Nem fantasmas nocturnos visionarios,
Nem desfilar de espectros mortuarios,
Nem dentro em mim terror de Deus ou Sorte…

Nada! o fundo dum poço, humido e morno,
Um muro de silencio e treva em torno,
E ao longe os passos sepulcraes da Morte.

II

Na floresta dos sonhos, dia a dia,
Se interna meu dorido pensamento…
Nas regiões do vago esquecimento
Me conduz, passo a passo, a fantasia…