PRINCESA ENCANTADA
Formosa Princesa dormia ha cem annos;
Dormia ou sonhava… Ninguem o sabia.
Passavam-se os dias, passavam-se os annos,
E a linda Princesa dormia, dormia,
Dormia ha cem annos!
Em torno, sentadas, dormiam as Damas,
Cobertas de joias, cobertas de lhamas;
Com formas e aspectos de finas imagens,
Esbeltos e loiros, dormiam os pagens.
E ás portas de bronze, por terra halabardas,
Num somno profundo dormiam os guardas.
Lá fóra, na sombra dos parques discretos,
Nem aves gorgeiam, nem zumbem insectos.
As arvores sonham, na sombra dos poentes,
Immoveis, á beira dos lagos dormentes.
E as fontes que d'antes sonoras gemiam,
Somnambulas mudas, apenas corriam…
Um dia, de longe, de terras distantes,
Com pagens, arautos, donzeis, passavantes,
Bandeiras ao vento, clarins, atabales,
Echoando a distancia por montes e valles,