—Um principe, herdeiro d'um throno potente,
Com olhos suaves d'aurora nascente,
Excelso e formoso, magnanimo e moço,
—Correndo aventuras, num grande alvoroço,
Chegou ao Castello, que ha tanto dormia,
Como uma alvorada, prenuncia do dia…
E ao ver a princesa, sentada em seu throno,
N'aquelle profundo, extactico somno,
Tomado d'estranha, indizivel surpresa,
Na boca entreaberta da linda Princesa,
Tremendo e sorrindo, seu labio collou-se
N'um beijo, que ao labio a alma lhe trouxe.
Accorda a Princesa; despertam as Damas,
As faces ardentes, os olhos em chamas.
Despertam os Pagens, nos seus escabellos,
Com halos de fogo nos loiros cabellos.
Accordam os guardas; e, tudo desperto,
A vida renasce no parque deserto.
Suspiram as fontes; gorgeiam as aves,
Das áleas profundas nas sombras suaves.