O João Thomaz era um seu antigo condiscipulo, que morrera parochiando na freguezia limitrophe!...
Na sua comprida varanda telhada e soalheira, é que o Beiral reproduzia as suas queixas, cumprindo, já se entende, regularmente com as suas resas!... Interrompia-se sómente para deitar um milhinho ás gallinhas, que esgravatavam no quinteiro e que logo ao verem-n’o passear de lado para lado, faziam cácárácá... Mas, todos os seus peccados, vinham de que os porcos, impacientes e gulosos, afugentavam as aves com grunhidos, com impulsos de focinho, o que, para elle, era mesmo uma damnação... Por isso o ecclesiastico, com pequenos gestos de frenesi, quando isto succedia, voltava á cesta do milho, tomava novamente a mão cheia, e espalhava-o habilidosamente no quinteiro, com um largo gesto de orador que abrange um auditorio. As gallinhas, já conhecedoras d’esta artimanha, logo que sentiam o crepitar do grão sobre as pedras do quinteiro, corriam precipitadamente de todos os lados, com as azas abertas, os pescoços alongados, as mandibulas promptas, e principiavam a comer soffregamente, antes que chegassem de novo os porcos.
No momento em que entrou na varanda o sachristão, remoía, o padre Beiral, as ultimas palavras da sua resa. O pae do brazileiro disse-lhe do fundo da escada de pedra, mostrando-lhe um papel azul, com um bom riso de contentamento:
—Cá a temos, senhor!...
O ecclesiastico abriu-se tambem, n’um riso expontaneo e exclamou:
—Não t’o disse eu?! O rapaz não se esquecia... Lá por não teres na ultima barca, não é que se não lembrasse.
—Vae muito bem, com a ajuda de Deus que tudo manda, vae muito bem!
—Está bom, homem. Entra cá para cima.
E n’uma voz mais baixa: