—Isto de gente estupida não se póde aturar de modo algum!...
A rapariga obedeceu sem retorquir e mudou-se para cima de um muro, d’onde reconheceu que tambem podia ver tudo... Porém, pelo lado de baixo estava o meliante do José Teixugo, espreitando-lhe as pernas com olhadellas peccaminosas!... A Rosa Trinta, percebendo a immoralidade, advirtiu de longe sua filha:
—Ó Tonia, não vês esse maroto do Teixugo a olhar-te p’ras pernas! Tira-te d’ahi, anda.
A rapariga, verificando a verdade da asseveração de sua mãe, ficou irritada e disse offendida, arremettendo com uma pedra ao rapaz:
—Olhem o diabo do cara de foinha! Vae espreitar as da tua irmã! Não tens vergonha malandro? Ahhh...—rematou voltando-se para elle com a bôca escancarada.
O Teixugo, rindo com um riso trocista, respondeu-lhe:
—Olha que minha irmã talvez as não tenha tão borradas como as tuas! Vergonha deves ter tu, minha gata pellada, por andares com as pernas tão sujas.
No entretanto o regedor, Antonio Cápatrás, e o Agostinho Manco, juiz eleito, revestidos da sua auctoridade assistiam ao acto solemne, em mangas de camisa!... O José Pandega recommendava aos que desenterravam os defuntos, que andassem de vagar, para lhe não darem alguma sacholada. Um d’elles disse ao cirurgião:
—Sabe o que a gente precisava, seu Zé? Uma boa infusa de vinho, para este suor se não recolher p’ra dentro. Você que sabe d’essa cousa de sedênhos e medicinas, bem o entende, seu Zé.
Por um acaso feliz chegaram n’esse momento duas canecas do bom rascante que a Engracia, viuva recente do Repolho, mandava para os trabalhadores que lhe desenterravam o marido. Todas as pessoas lhe applaudiram a lembrança inesperada e a mulher que trouxera o vinho, affirmou com modo persuasivo, que fôra a propria tia Engracia que o fôra tirar do tonel do canto, que era do bô que tinham. Os homens, quando acabaram de beber, tiveram um ahhh... prolongado e satisfeito, confessando um d’elles: