No dia em que Engracia lhe levou o Tone, a mulher do Repolho teve de esperar que o senhor mestre viesse; porque andava no monte... Logo que chegou, viu Engracia, humilde, com o rapasito ao lado e perguntou-lhe com indifferença:
—Queria alguma cousa?...
—Se me fazia a esmolinha de me deixar entrar este pequeno cá para o studo—respondeu.
—Que idade tem?
—Oito annos.
—Traz a carta?
—É isto que comprei lá em baixo na tenda, senhor?
E mostrou-lhe, com o braço estendido, um pequeno folheto de capa de papel pintado. O senhor Antoninho, lançando-lhe um olhar infimo e despresador, concluiu:
—É isso mesmo, sim senhora. Deixe ficar. Olha rapaz, vae p’rá acolá.
E apontou-lhe a estremidade de um banco, onde o Tone, amedrontado e encolhido se foi sentar... Em seguida, o senhor mestre entregou a um discipulo a espingarda, para lh’a ir pôr na varanda, emquanto elle se foi sentar, de modo brusco e pesado, na cadeira professoral, onde se conservou silencioso, durante alguns minutos com a testa apanhada na mão esquerda!... Por fim, tirando de uma gaveta e collocando em cima da mesa, n’uma evidencia terrificante, a palmatoria disciplinar, indicou aos descipulos que n’esse dia, não passariam sem molho, como elle costumava dizer.