—Então?!

O outro troquilha encolheu os hombros, com certo desleixo, indicando que fizesse elle o que quizesse, que estava prompto para tudo... O assassino do Fogueira, dando movimentos desengonçados ao tronco e á cabeça, proferiu com certa ironia feroz e temivel, condemnando aquelle estado de arrependimento:

—Ora põe-te com aquellas. Talvez ainda lhe tenhas medo. Olha que já se não mexe...—concluiu impellindo o cadaver com um pontapé.

E, logo, curvando-se sobre o corpo ainda quente, desafivelou-lhe o cinto que suspendeu no ar, tilintando escarnecedoramente com o dinheiro, e rematou n’uma voz de contentamento miseravel:

—Ouvel-os? Cá cantam?! Fazem um certo arranjo.

O sangue ensopava a terra, jorrando em borbotões ruidosos pela bôca do cadaver e pela ferida! O Rio Tinto, tendo guardado o roubo, observou com modo mais familiar, pondo a mão no hombro do companheiro, que permanecia na mesma apparente insensibilidade:

—Agora... pernas para que vos queremos. Toca a andar, que póde vir por ahi algum patrão!...

Retrocederam pelo mesmo caminho, primeiro n’um passo rapido, depois a fugir, o Fanfarra atraz do Rio Tinto. Tomaram á esquerda, por um atalho pouco frequentado, que os devia levar, atravez de uns montes, a outra estrada...

O Fanfarra, quando já estava mais seguro de si, parou subitamente, para considerar: