—Olha lá... Ficaria elle bem morto?!

O Rio Tinto certificou-lh’o do seguinte modo:

—Deus te dê mais vida do que elle tem!

Mas o Fanfarra, visivelmente preoccupado com esta idéa, como estavam muito perto disse:

—Home... ainda é escuro... Voltemos a espreitar se elle se mexe!

E voltaram n’um passo rapido, melhor seguros de si, com a alma mais desanuviada e perversa. Ficaram a pequena distancia, de traz do muro, escutando... O silencio prolongava-se preguiçosamente na profundidade do valle. Sómente o pingar monotono da fonte proxima perturbava este alvorecer indiciso, que os passaros já principiavam a alegrar. Os assassinos, para se certificarem positivamente da morte do Fogueira, e como a escuridade ainda os protegia, saíram do logar onde se tinham prudentemente escondido e aproximaram-se do cadaver, com certa ousadia e confiança. O corpo continuava a jazer exanime, de bruços sobre a terra! Não tinha o menor signal de vida—nem sequer perturbava o silencio da noite, com a respiração tenue do moribundo!

O Rio Tinto, empurrando outra vez o cadaver despresivelmente com o pé, pronunciou com um sorriso cynico:

—Estás bem morto! Pagastel-as todas. Já não comes mais brôa.

O Fanfarra, que era menos animoso, observou-lhe com certo modo urgente:

—Home, deixa-o lá, coitado! Fujamos nós, que já se vae vendo!... Pode vir por ahi algum demonio...